Telefone  (11) 5521-0636 / 5524-7104 local Av. Mário Lopes Leão, 1050A Santo Amaro - São Paulo/SP CEP: 04754-010 e mail secretaria@etectm.com  e mail etectm@etectm.com 

 

Nosso Patrono

Takashi Morita quando era policial militar no Japão

 

Takashi Morita nos dias atuais

 

 

Takashi Morita é um hibakusha – nome pelo qual são conhecidos os sobreviventes das explosões atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Ele conta o horror que passou durante a explosão da bomba atômica em Hiroshima e fala também sobre os problemas nucleares que o Japão vêm sofrendo após Terremoto e Tsunami que atingiu a costa japonesa em 11 de março de 2011.

Aos 21 anos, Takashi Morita presenciou o início da era atômica. Hoje, com 89, é dono de uma mercearia no bairro do Jabaquara, em São Paulo, e preside a Associação dos Hibakushas no Brasil.

Para o comerciante Takashi Morita, as imagens do Japão arrasado pelo terremoto, pelo tsunami e agora sob o temor do risco nuclear são um “pesadelo”. Aos 87 anos, ele é uma pessoa lúcida e bem-humorado e mora em São Paulo desde 1956.

Ele conta como sobreviveu, em 6 de agosto de 1945, à bomba nuclear jogada sobre a cidade japonesa de Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial. A bomba explodiu a cerca de 1,3 km de onde Morita estava. Na época, ele era soldado da polícia japonesa e tinha 21 anos.

A bomba explodiu bem no centro de Hiroshima, a 580 metros de altura, numa bola de fogo que atingiu cerca de 230 metros de raio. Calcula-se que no hipocentro – o ponto em terra exatamente abaixo da explosão –, a temperatura atingiu de3.000 a 4.000 graus centígrados.É mais do que o dobro da temperatura necessária para fundir o ferro, em torno de 1.500 graus. Os dados são do livro The legacy of Hiroshima, do físico japonês Naomi Shohno, citado numa reportagem que Roberto Pompeu de Toledo publicou em 1995 – cinquentenário da explosão – na revista Veja.

Morita foi diagnosticado com leucemia duas vezes enquanto ainda morava no Japão, onde fez tratamentos. Desde que se mudou para o Brasil, apesar de problemas de coração e diabetes, nunca mais teve leucemia. Ele veio para São Paulo justamente para melhorar a saúde.

Hoje, ele é presidente da Associação das Vítimas da Bomba Atômica no Brasil, que integra 120 sobreviventes da tragédia e seus descendentes.

Quando a bomba atômica atingiu Hiroshima, o soldado vestia uniforme militar e acredita que por isso foi protegido. Como usava boné, também não teve problemas no rosto, mas sofreu uma queimadura grave na nuca, o que o impediu de continuar ajudando no resgate das vítimas por muito tempo.

Parentes no Japão

Morita tem um neto, que mora em Tóquio. O jovem trabalha e constituiu família no Japão e não pretende retornar ao Brasil. 

Reconstrução do Japão

O sobrevivente de Hiroshima veio para o Brasil em 1956, com a mulher e dois filhos. Desembarcou no Porto de Santos, após 42 dias de viagem, com destino a São Paulo.

Morita recebeu uma homenagem do estado de São Paulo pela sua luta contra a radiação. A Escola Técnica Estadual (Etec) de Santo Amaro, na Zona Sul da capital, mudou o seu nome para se chamar Etec Takashi Morita.

A Associação das Vítimas de Bomba Atômica no Brasil, da qual Morita faz parte é responsável pela negociação com o governo japonês pela assistência aos 127 sobreviventes da bomba que imigraram para o Brasil – o governo só ofereceu ajuda para quem ficou no Japão. A Associação Hibakusha-Brasil pela Paz é recente e faz ações em parceria com a sociedade civil para disseminar a paz e dizer não à guerra e às armas nucleares.